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O CASAMENTO VITALÍCIO EM MATEUS 19:9

agosto 1st, 2014 | Posted by Paulo Pinto in Artigos

O casamento é um acordo ou concerto que se faz por toda a vida. No entanto, parece que mesmo
no meio evangélico algumas pessoas tem questionado esta questão. Alguns o fazem com base na
passagem de Mateus 19:9, que diz:
“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de
prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também
comete adultério.” Mateus 19:9.
O ponto destacado: “não sendo por causa de prostituição”, na mente de muitos, parece deixar
uma cláusula de exceção, sob a qual se poderia contrair novas núpcias. Ou seja, segundo esta
passagem, se houver prostituição, o marido pode então deixar sua esposa e contrair um novo
casamento. Porém, devemos enfatizar que Jesus não estava referindo-se ao marido e a mulher
legalmente casados e que construíram uma vida juntos, ou que viveram por determinado tempo.
A expressão grega, utilizada pelo escritor sagrado, a qual foi traduzida por “prostituição” é
“Pornéia”. O léxico do novo testamento grego traduz esta palavra da seguinte forma: “Pornéia:
Prostituição. ” Existe outra palavra grega “Moicheia” que é traduzida corretamente por “Adultério”.
Estas palavras são traduzidas de formas distintas em vários textos da Bíblia.
Vejamos:
“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério (Moicheia), prostituição
(Pornéia), impureza, lascívia.” Gálatas 5:19.
“Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios (Moicheia), prostituição
(Pornéia), furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” Mateus 15:19.
A Bíblia faz desta forma, distinção entre adultério e prostituição. O Adultério, como todos sabem,
ocorre entre pessoas casadas, já a prostituição, segundo a Palavra de Deus, ocorre entre pessoas
solteiras. Portanto, o “não sendo por causa de prostituição (pornéia)” é uma cláusula de exceção
para os solteiros, não para os casados. Caso contrário, se o texto sagrado estivesse referindo-Se
aos casados, ele teria dito: “não sendo por por causa de MOICHEIA (adultério)”, o que ele, no
entanto, não o fez. Algumas versões da Bíblia utilizam a palavra adultério em Mateus 19:9, mas
não é tradução correta, pois ali a palavra grega (Pornéia) exige a palavra “prostituição” como
sendo a tradução correta.
Esta diferença entre prostituição e adultério é bem patente também algumas vezes nas escrituras
hebraicas. Um exemplo disso, nós encontramos em Oseias 4:13-14:
“… por isso vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram….Eu não castigarei
vossas filhas, quando se prostituem, nem vossas noras, quando adulteram.”
Por que as filhas se prostituem? Por que são solteiras! E as noras, por que adulteram? Lógico, por
que são casadas! O que alguns questionam é que o relato contextual de Mateus 19 parece se
referir a pessoas casadas como demonstrado na pergunta dos fariseus (Mateus 19:3). Sendo
assim, a cláusula de exceção mencionada no versículo 9 que, segundo o texto grego, se refere
aos solteiros, não pode ser aplicada para marido e mulher legalmente casados!
Mas resta uma questão: No próprio versículo 9, Jesus parece referir-Se a uma questão
matrimonial ao mencionar: “qualquer que repudiar sua mulher…”O Casamento Vitalício em Mateus 19:9
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Por que então Jesus usou a expressão “repudiar sua mulher…” se ele não estava falando de
pessoas casadas, mas de pessoas solteiras ao usar a palavra prostituição (Pornéia)?
Devemos entender que o conceito de marido e mulher hoje no ocidente é bem diferente do
conceito que imperava no oriente no tempo de Jesus. Entendemos hoje que marido e mulher são
pessoas legalmente casadas segundo as leis do país e que se comprometeram viver para sempre
um ao lado do outro, ou que assim já vivem. No oriente, este conceito era um pouco diferente.
Observem:
“Então disseram aqueles homens a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas
filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; …Então saiu Ló, e falou a seus
genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: Levantai-vos, saí deste lugar,
porque o SENHOR há de destruir a cidade. Foi tido porém por zombador aos olhos de seus
genros.” Gên. 19:12,14. Genros que ainda não haviam casado! Eram solteiros, mas já
considerados maridos das filhas de Ló!
Outro exemplo clássico:
“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com
José,antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu
marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando
ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não
temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo.” Mateus
1:18-20.
É fácil perceber no texto que Maria e José ainda não se haviam ajuntado, ou seja, eles não viviam
como marido e mulher. Eles não estavam legalmente casados, porém, já eram considerados como
marido e mulher! Percebamos, o que José era de Maria? Resposta: Marido! E o que Maria era de
José? Esposa!
Na verdade era como se fossem noivos, mas um noivado muito mais comprometido do que os
que conhecemos em nossos dias. Neste noivado ambos eram considerados marido e mulher!
O que ocorreria se, neste período, a moça, por exemplo, traísse seu noivo ou o seu já considerado
esposo? Neste caso o noivo, o já considerado marido, poderia deixa-la e se casar livremente com
outra pessoa! Se lermos o relato de Mateus percebemos que foi isto que José pensou em fazer, só
não o fez porque o anjo não permitiu (Mateus 1:19,20).
Segundo o texto de Mateus 19:9, Jesus estava mostrando que, em caso de prostituição durante
aquele noivado, era permitido ao já considerado marido repudiar sua já considerada mulher e se
casar com quem desejasse. Os judeus sabiam e conheciam as circunstâncias do nascimento de
Cristo. Sabiam que Maria havia ficado grávida antes de ser dada a José. Por isso, disseram a Jesus
certa ocasião:
“Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição (Pornéia) ; temos um Pai, que é
Deus.” João 8:41.
“Jesus negou que os judeus fossem filhos de Abraão. Disse: “Vós fazeis as obras de vosso pai.”
Em zombaria, responderam: “Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é
Deus.” João 8:41. Estas palavras, em alusão às circunstâncias de Seu nascimento, foram atiradas
como uma estocada contra Cristo, em presença dos que começavam a nEle crer.” O Desejado de
Todas as Nações, pág. 467.O Casamento Vitalício em Mateus 19:9
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Desta forma, a regra de exceção não favorece aqueles que são legalmente casados e que já
viveram com a esposa. Neste caso, para os que já têm uma vida juntos, que já se ajuntaram, a
regra é a que encontramos em Lucas 16:18:
“Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a
repudiada pelo marido, adultera também.” Lucas 16:18.
Não pode haver contradição nas palavras de Cristo em Mateus 19:9 com as de Lucas 16:18, como
realmente cremos não existir. Se o fulano “A” deixou da fulana “B” e se casou com a fulana “C”,
ambos, a saber, “A” + “C” estarão em pecado de adultério. A fulana “B” que é a parte inocente, a
qual foi deixada ou abandonada pelo fulano “A”, se ela vier se casar com outro, digamos o fulano
“D”, estarão, a saber “B” + “D” também em adultério.
Paulo reafirma esta verdade, da seguinte forma: “Porque a mulher que está sujeita ao marido,
enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido.
De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas,
morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido.” Romanos
7:2,3.
“Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. Se,
porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido
não deixe a mulher.” I Coríntios 7:10-11.
“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o
seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.” I Coríntios 7:39.
Somente em face da morte, portanto, pode haver a dissolução do voto matrimonial. Quando os
discípulos ouviram que para os casados não existia nenhuma regra de exceção, que “o que Deus
ajuntou não o separe o homem”, que Deus deu apenas uma mulher para Adão, (Mateus 19:4-6)
disseram: “… Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.”
Mateus 19:10.
Jesus continuou:
“Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.”
Mateus 19:11.
Quando entendemos estes detalhes, compreendemos por que alguns não
compreendem e nem aceitam esta questão do casamento vitalício!
Autor: Prof. Cristiano Souza
Fonte: http://adventistas-reformistas.blogspot.com.br/2013/03/mateus-199-e-o-casamento-um-concerto.html
DISPONÍVEL EM http://www.adventistas-historicos.com/arquivos/O_Casamento_Vitalicio_em_Mateus_19-2.pdf

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