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AMÉRICA LATINA TERÁ 17 MILHÕES DE CASOS DE CÂNCER ATÉ 2030. RELATÓRIO APONTA DESAFIOS PARA LIDAR COM A DOENÇA NA REGIÃO

abril 28th, 2013 | Posted by Paulo Pinto in Artigos

Câncer vai se generalizar, ainda que esconda que a principal causa seja o consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos, que também estão dentro do tabaco e do álcool. Folha de São Paulo, SP, 26 de abril de 2013.

Um relatório produzido por especialistas da revista “Lancet Oncology” que será apresentado hoje em um seminário em São Paulo mostra que a América Latina não está pronta para lidar com o crescimento dos casos de câncer.

A equipe, liderada pelo médico Paul Goss, da Universidade Harvard, mostra que os casos de câncer na região devem somar 17 milhões até 2030, com 1 milhão de mortes por ano previstas.

Apesar de ainda ter uma incidência menor de câncer do que os EUA e a Europa, a América Latina tem maior mortalidade pela doença do que as outras regiões.

Na América Latina, há 163 casos de câncer por 100 mil habitantes e 13 mortes a cada 22 casos. Nos EUA, são 13 mortes a cada 37 casos.

Um dos grandes motivos para a diferença é o estágio no qual os tumores são detectados. Nos EUA, 60% dos casos recebem diagnóstico já no início da doença, o que acontece só em 20% dos casos no Brasil e 10% no México.

De acordo com Paul Goss, uma das explicações para a falta de diagnósticos precoces é o fato de os países da América Latina terem concentrado esforços e investimentos na prevenção e no tratamento de doenças infecciosas. “A aplicação de recursos em doenças como o câncer não aconteceu”, escreveu Goss em comunicado.

O problema é que o câncer é uma doença ligada ao envelhecimento da população. O relatório estima que, até 2020, 100 milhões de pessoas na América Latina terão mais de 60 anos.

“A adoção de estilos de vida similares aos praticados em países desenvolvidos levará a um rápido crescimento do número de pacientes com câncer, um custo para o qual os países da América Latina não estão preparados.”

O estudo também destaca o problema da concentração dos centros de atendimento oncológico em grandes cidades, deixando descoberta grande parte da região.

O Globo
Globo, 26.04.2012

A encruzilhada do câncer
Incidência de casos já é próxima à dos EUA, mas mortalidade é quase o dobro

Duilo Victor

Um grupo de pesquisadores de câncer de 12 países do continente americano lançou um estudo que alerta a América Latina sobre um impasse no enfrentamento da doença. A conclusão do trabalho, que também serve para o Brasil, é que enquanto os habitantes desta região do planeta ganham hábitos de comportamento e consumo que os aproximam de países desenvolvidos, inclusive o sedentarismo e a obesidade, os mesmos países não conseguem dar assistência médica em nível correspondente. Como resultado, a incidência de câncer entre os latino-americanos se aproxima da dos EUA, da União Europeia e do Japão, mas a proporção das pessoas que morrem deste mal é bem maior no nosso subcontinente. Se nada for feito, estima o trabalho, mais de um milhão de pessoas vão morrer da doença por ano a partir de 2030.

O estudo, publicado na revista “Lancet Oncology”, destaca que a proporção de pessoas que morrem de câncer na América Latina é bem maior em comparação com os Estados Unidos. Na região, para que 13 pessoas morram por causa da doença, têm que haver 22 casos de câncer, ou 59%. Nos EUA, são 37 ocorrências para as mesmas 13 mortes, o que equivale a 35% mais. O Brasil está no meio do caminho, com 29 casos para o mesmo nível de mortalidade, segundo dados de 2008.

Brasil gasta U$ 8 para cada novo paciente

O trabalho, do Grupo de Cooperação em Oncologia da América Latina, tem um quadro que relaciona o quanto cada país da região gasta com cada novo paciente. O Brasil perde na comparação com vizinhos sul-americanos, segundo dados de 2009. São U$ 8,04 por paciente, enquanto, no Chile, a soma é quase o dobro, U$ 15,09. No Uruguai, estava em U$ 26,63. Nos EUA, são U$ 460,17 por indivíduo diagnosticado. Em resposta, o Ministério da Saúde informa que ampliou em 26% o investimento na assistência oncológica nos últimos dois anos para R$ 2,4 bilhões em 2012.

– Não se trata apenas de aumentar o dinheiro gasto com câncer no Brasil, mas também de distribui-lo melhor – alerta Paul Goss, líder da pesquisa. – A política para a doença não está bem implementada por inteiro, há discrepâncias no atendimento em grandes centros urbanos e no interior do país, sobretudo com populações indígenas, como se houvesse dois “brasis”.

O pesquisador, da Escola de Medicina de Harvard, acrescenta, por meio do estudo, que a distribuição desigual de recursos humanos e materiais para tratamento de câncer não é exclusividade do Brasil e afeta a maioria dos países latino-americanos. Entre os brasileiros, onde a média é de 144 médicos por 100 mil pessoas, existem apenas 60 médicos por 100 mil nas áreas menos desenvolvidas da Região Norte, contra 210 para o mesmo número de habitantes no Sudeste. No Norte e no Nordeste, onde a fatia da população que vive em áreas rurais é maior, cerca de 40% das mulheres com 25 anos ou mais fazem o exame de mamografia; na Região Sudeste, 65% das mulheres fizeram exames para detecção do câncer em 2008. Não à toa, o estudo diz que só 20% dos casos de câncer de mama são detectados nas fases iniciais. Mas, neste caso, o número é contestado pelo Ministério da Saúde, que, em comentário feito no próprio relatório, diz que o índice de detecção está perto do patamar americano, de 60%.

Em resposta, o Ministério da Saúde informa que, para reduzir as desigualdades regionais foram assinados 11 convênios para criação de serviços de referência no diagnóstico e tratamento ao câncer de colo do útero nas regiões Norte e Nordeste e aprovadas outras 31 propostas. Até 2014, continua o ministério, estão previstos investimentos de R$ 4,5 bilhões em ações de prevenção e na expansão de serviços de diagnóstico e tratamento do câncer de mama e do colo do útero, que são os que mais atingem as mulheres. Além disso, foi prometida a estruturação e ampliação de 80 serviços de radioterapia, aumentando em 32% a assistência aos pacientes no país.


Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
Secretaria Operativa Nacional
fone:(61) 8145 – 7083
site: www.contraosagrotoxicos.org

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