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A DOCE ILUSÃO DO DESENVOLVIMENTO

outubro 15th, 2013 | Posted by Paulo Pinto in Artigos
RIO SÃO FRANCISCO DESOLAÇÃO
Leia o texto abaixo, veja a data e saiba que prá mim, a novidade é apenas as pessoas  estarem se manifestando…e isso é muito positivo…mesmo o Brasil ganhando TÍTULOS consecutivos pelo uso/consumo de VENENO…!!!
Gde abç,
Bira.  
 
CARTA A UM AMIGO

                                                Bira

                                                                 Carlos Ubiratan de Andrade Sampaio
                                                                Juazeiro, 2004
A DOCE ILUSÃO DO DESENVOLVIMENTO
         Neste momento, estou aqui apreensivo, assistindo aos agricultores do Vale do São Francisco, serem iludidos pelo “desenvolvimento imediatista”: o que lhes parece um grande lucro real em curto prazo é, na verdade, uma inestimável perda do patrimônio agroecológico de toda a sociedade e um perigoso equívoco técnico/econômico/científico a médio e longo prazos. O desenvolvimento deve acontecer a favor da Natureza, e não contra Ela. A tal globalização, tão enaltecida, não deveria abarcar somente capitais, mercados, ciências e tecnologias, mas a solidariedade para com todos os seres do Planeta. Aí sim, teríamos uma dimensão responsável e ética tão necessária nesse momento! Este modelo de “desenvolvimento” privatiza os lucros e socializa os prejuízos… Esterilizam-se os solos (4 bilhões de organismos interagem em 1cm cúbico de solo, segundo A. M. Primavesi). Contaminam-se as águas e exsudações, reduzem-se as células reprodutoras, provocam mutações, extinguem-se espécies…  Colhe-se frutos e ganha-se muito dinheiro, claro! Mas, quem pagará as contas desta imensurável erosão genética!? Acredito que a Ciência orientadora da Agricultura em nosso País e especialmente a predominante aqui no Vale do São Francisco esteja fundamentada no “Discurso do Método” de René Descartes: “o homem é mestre e dono da Natureza”. Nesta corrente de pensamentos (iluminismo) destacam-se ilustres filósofos como Epicuro e Francis Bacon, dando sustentação à máxima “Saber é Poder”. E assim, deixam as plantas cultivadas agonizarem de sede neste sol escaldante… (chamam “stress hídrico”, esta “técnica” de tortura), até que, ao perceberem a possibilidade da morte iminente, num recurso derradeiro para garantir a perpetuação da espécie, que é seu “papel” na Natureza, as extraordinárias plantas se preparam fisiologicamente para a emissão de grande quantidade de flores, pois: maior quantidade de flores à maior probabilidade de frutos à maior quantidade de sementes à maior probabilidade de perpetuação da espécie… Então é chegada a hora de subitamente empanturrá-las de água e insumos químicos solúveis, o que lhes garante uma safra exuberante, quantitativamente! (não avaliam a vitalidade dos frutos). Afinal, “Saber é Poder”!!! Então, “vamos arar a Terra, pulverizá-la, desagregá-la, abri-la, rasgá-la, violentar suas entranhas, envenená-la, intoxicá-la e quando Ela não mais agüentar, se renderá e entregará seus segredos para nós…” Assim, conhecendo os seus segredos, a dominaremos e seremos os seus “Donos”! Os “poderosos do imediatismo”, baseados na espetacular, porém simplista, reducionista, Lei do Mínimo de Liebig (Séc. XIX), vão apressados à casa comercial, compram uma “cesta básica” de insumos químicos e “caridosamente” saciam a fome das “pobrezinhas” plantas! São ignoradas, assim, a sua origem, as harmoniosas e intrincadas inter-relações da macro e micro vidas do solo, indispensáveis para a saúde do solo / planta / animal.  Mas há de chegar a hora em que essa linha de pensamentos egoístas seja dispensada. Contrapõem-se a tal concepção expoentes como São Francisco de Assis, Santo Agostinho, Rudolf Steiner, Mahatma Gandi, Peter Tompkins, Raquel Carson, Fritjof Capra, Leonardo Boff, Instituto ELO… O saber não deve ser um ato de apropriação ou domínio. Precisamos de uma compreensão mais que ecológica: cosmológica!!! Onde a visão seja oriunda de muitos saberes: da física quântica, da biologia combinada com a termodinâmica, da psicologia e da ecologia profunda, formando uma “extraordinária” teia onde tudo e todos se inter-relacionem e co-evoluam. Não podemos mais assistir, nem apoiar a exploração irresponsável da Natureza. Os números são suficientes e bastante claros. No Rio Grande do Sul, até 1980 já havia 6.000 ha de desertos e mais 470.000 ha em processo de desertificação. Em Itaguaí, Porto Alegre, há o “Deserto de Puitã”. Segundo a FAO, no sudeste do Brasil há 60.000 ha desertificados e até 2020 serão 6.000.000 de ha! Faz-se necessário produzir mais alimentos? Sim!!! Em 1970 éramos 90 milhões de habitantes… hoje, em 2007, somos mais de 186 milhões. Há uma fome cruel? Há, sim!!! Mas não por falta de alimentos e sim pela má distribuição dos mesmos. Perdem-se pelo caminho 61% dos produtos agrícolas produzidos, (segundo a revista Super-Interessante de 2002, nº 147). No relatório “NOSSO FUTURO COMUM”, as políticas agrícolas e de alimentos tenderão a promover um rápido crescimento das grandes cidades: com aumento de favelas, de desempregos, da violência… Nossas residências se transformarão em verdadeiras prisões. Parece-me ter chegado a hora desta região ser testada. A Barragem de Sobradinho (maior lago artificial do mundo, em lâmina d’água), não possui “escada de piracema”, está contaminada e com 50% de sua vida útil comprometida. Plantam-se, por ano, em suas margens, mais de 10.000 ha de “verduras” com insumos químicos. Multiplicando-se (Kg e L de produtos químicos/ha), dá pra perceber: (chega-se a 1 ton/ha)!  No povoado de Algodões Novos, a 2 Km da sua margem, os moradores não possuem água encanada, nem tratada. O controle da vazão feito na Barragem provoca a quebra dos barrancos nas margens do Rio, intensificando o processo de assoreamento. O uso intensivo de insumos químicos nas margens do Velho Chico é o atestado da verdade. Em Casa Nova e Juazeiro, existem quinhentas pessoas (por município, 2007) fazendo tratamento de câncer em Salvador. Os peixes, outrora abundantes, já são bastante escassos. No Baixo São Francisco, na região de Canoa de Tolda, produzia-se bastante arroz nas vazantes, sem agroquímicos. Não há mais vazantes. Hoje há a fome. Portanto não devemos esperar que a rede televisiva e suas afiliadas facciosas do agronegócio tomem a defesa desta iminente tragédia, assim como não desmentirão a gananciosa Monsanto, Bayer, Cargil, Archer Midland, que sempre mostra com dados tendenciosos a “eficiência” de seus produtos…! A quantidade de espermatozóides nas espécies tem diminuído muito. Será efeito dos agroquímicos!!? O “milagre” da fruticultura irrigada, para exportação, substitui mais de mil (1000) espécies de plantas/ha, para proteger uma só! A Ciência não conhece ainda o potencial farmacológico desta Biodiversidade condenada à extinção! Nelas co-evoluem e nidificam, harmoniosamente, seus agentes  polinizadores, já tão raros… e 90% destas plantas são de polinização cruzada! Assim, as reservas naturais destas extraordinárias sementes, depositadas no solo da Caatinga, se esgotam a cada chuva… O pastoreio é intensivo. O impacto é evidente. Não se vê nas andanças (há 25 anos) um só umbuzeiro jovem! As plantas só morrem. A introdução do capim “buffel”, substituindo mais de 1.000 espécies de plantas nativas, mostrando vantagens através de parâmetros simplistas de avaliação, foi um equívoco lamentável.  Segundo afirmou em 1980, E. E. de Miranda, Doutor em Ecologia, o avanço deste capim estaria perto de 30%, o que põe em perigo todo o ecossistema. Assim, pergunta-se: como o capim “buffel” pode ser mais nutritivo que a diversidade de plantas da Caatinga!? E nós, para onde vamos!? Onde está o veado campeiro!? A quixabeira!? O caetitu!? A umburana!? A asa branca!? O mandacaru!? O desaparecimento de uma espécie poderá desencadear o “efeito dominó”. Será mesmo que a “próxima vítima” é a Caatinga!? Tudo indica que sim! Os “lobistas da destruição” são fortes e organizados. Têm representantes no “Poder de Decisão”. A percepção agroecológica da “nova era”, mística, transcendental, holística, sistêmica, cosmológica, sempre foi diagnosticada pelos “picaretas de plantão” como sintomas de doenças mentais incomuns… Dizem: “este cara é maluco, é louco!”, “é alucinação!” Só que a situação é grave! Muito grave! E nós, “malucos”, “loucos”, “alucinados” ou não, precisamos defender este grande processo de “evolução da consciência”, de “emergência espiritual”, pelos quais clamam urgentemente por socorro: cada fonte de vida ameaçada, cada canto, cada berro, cada zumbido do inseto sem oco para morar; cada flor que a custo desabrocha; cada semente germinada que não vingará; cada umburana que grita de dor, pela boca da carranca esculpida; cada bromélia e cada cactácea roubada que enfeita os exóticos jardins luxuosos das grandes metrópoles; cada animal solitário do cativeiro que não mais se reproduzirá; cada asa-branca  que partiu, cada homem, cada mulher agonizantes, que se intoxicaram nas áreas irrigadas… Enfim… cada fio desta sublime e maravilhosa “Teia da vida”, à qual nós, “malucos” ou “loucos”, também pertencemos…!
PRECISAMOS URGENTEMENTE REPENSAR A CAATINGA!!!!
Dai-me coragem para mudar o que é possível mudar…!
Dai-me paciência para aceitar o que eu não posso mudar!
Dai-me discernimento para distinguir entre uma coisa e outra…!!!
                         São Francisco de Assis
Saudações Cosmológicas !
Bira – Carlos Ubiratan de Andrade Sampaio
Engº Agrônomo / Engº de Segurança do Trabalho
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Pousada Ecológica Projeto Semente – Ubaíra-BA
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